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O Velho Escultor

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O sol brilhante de verão derramava seu calor úmido na ilha varrida pelo vento do paraíso caribenho, quando um velho escultor voltava para sua humilde casa, no centro da vila. No caminho, passou por uma grande mansão branca do proprietário de uma fazenda que, com seus trabalhadores do campo, estava derrubando uma árvore antiga que por gerações protegeu as pessoas do sol escaldante. De repente, o velho escultor parou e, com um brilho nos olhos, chamou aquele proprietário sobre o muro, manifestando interesse em algo: - O que fará com esses restos de madeira? - O proprietário respondeu: - Só servem para queimar no fogo. Este lixo não tem utilidade para nada. O velho escultor implorou por um pedaço de madeira e, cuidadosamente, colocou-o em seus ombros. Com um sorriso grato, cambaleava à distância, carregando seu pesado tesouro. Depois de entrar em sua cabana, o velho colocou o tronco da árvore no centro da sala. Então, de uma maneira igualmente misteriosa e cerimoniosa, caminhou ao redor do que o proprietário da fazenda chamara de “lixo sem utilidade”, pegou seu martelo e começou a esculpir. Um estranho sorriso marcou sua face enrugada. Atacando a madeira, trabalhou como se tivesse à tarefa de libertar alguma coisa daquele tronco retorcido e envelhecido. Na manhã seguinte, o sol encontrou o escultor dormindo no chão de sua cabana, abraçado a um belo pássaro esculpido que havia libertado da prisão. Mais tarde, colocou o pássaro na porta da frente de sua cabana e o esqueceu. Algumas semanas mais tarde, o proprietário da fazenda foi visitá-lo. Quando viu o pássaro, quis comprá-lo pelo preço que o escultor pedisse. Satisfeito com o excelente negócio que havia feito, o homem foi embora com seu pássaro. O velho escultor, sentado nos degraus de sua cabana simples, ficou contando seu despojo e pensando: “Lixo aos olhos do proprietário”. Alguns olham, mas outros vêem. Hoje, há indivíduos cujas vidas são como a árvore antiga. Há dentro deles um bonito pássaro em potencial que talvez nunca voe. A sociedade, como o proprietário da fazenda, nada vê neles, a não ser uma pessoa sem valor e inútil, caminhando para a “lixeira da vida”. Entretanto, precisamos nos lembrar de que o lixo de um homem é a jóia de outro.
 

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